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19/05/2011 - A grande muralha brasileira contra a invasão chinesa

A história dos produtos chineses no território brasileiro, com preços questionáveis e qualidades reprováveis, não é nova.

Há alguns anos me dizia um lojista quando debatíamos sobre a qualidade das meias que vi em uma banca na porta da sua loja: - As boas já vendi com um bom lucro, essas que estão defeitos coloquei baratinhas, e se não tiver saída faço uma doação.

A loja não existe mais e não sei por onde ele anda. Esse fato não aconteceu de forma isolada, os danos ao mercado, naquela época, foram significativos.

Cadeados que não fecham, sombrinhas que não abrem, tecidos que desbotam, brinquedos que desmontam, eletrônicos que duram poucas horas, e tantos outros problemas estão ai para serem vistos, não há necessidade de muito esforço para encontrá-los.

Cada vez mais vemos setores sofrendo com essa concorrência, mas também observamos um salto na qualidade dos produtos.

O fato é que o mercado brasileiro, com os bons ventos da economia, traz navegantes de todas as partes para nossos mares, com isso virão os bons e maus concorrentes.

Navegantes, lembrem-se, as velas podem ser ajustadas. Os ventos que trazem são os mesmos que levam, então o que estão fazendo nossos barcos, de velas arriadas, atracados nos portos?

Ao observar a invasão de produtos baratos, dizia um americano certa vez: - Não existe camiseta de um dólar!

Seu ponto de vista era bastante simples, poderia existir qualquer tipo de operação como cambio artificial, incentivos, isenção de impostos que permitisse que o produto chegasse ao mercado naquela faixa de preço, menos sua fabricação em condições normais.

E reforçava sua tese: ?o tecido custa mais caro do que isso!?

Há um segmento em que as questões são complexas e  a decisão não pode ter apenas o preço como decisor: Pneus! 

Qualidade está diretamente ligada à segurança, e neste caso falamos de vidas.

Outro aspecto é a disponibilidade para troca, quando um deles apresenta defeito. Teria o consumidor facilidade de encontrá-lo?

E, falando em custos, não podemos deixar de tratar da durabilidade. Nada é mais barato por acaso.

Tratemos este ponto não como custo x benefício, mas a sua relação inversa: beneficio x custo por sua importância.

Para ter o benefício que queremos e precisamos que valor seria justo investir?

O que, como fabricantes, precisamos para concorrer, ainda que enfrentemos pontos conflituosos?

A palavra é competência!

Competência para fabricação, para gestão das nossas empresas, para desenvolvimento de relações e para combater todo e qualquer aspecto incoerente no processo.

Competência para argumentação e contestação é fundamental quando a questão ultrapassa fronteiras.

É verdade que processos como esses não se consolidam rapidamente, mas o assunto é o mesmo, as reclamações as mesmas, e se arrastam por décadas.

Quer um exemplo desconfortável?

Depois de quase uma hora ouvindo um gestor criticar a invasão de produtos importados, e ter insistido muito para avaliássemos sua planilha de custos, ouvi sua confissão que não tinha paciência para lidar com o assunto. Tinha um método prático que o permitia não usar os dados contábeis.

Não é necessário dizer que essa praticidade carregava um enorme vício que provocava um erro de interpretação significativo, é?

Havia um ponto que ele dizia não conseguir entender: - Por que uma empresa com tanto lucro não tinha um superávit maior de caixa!

Ora, simples, quem disse que tinha tanto lucro?

Conhece alguém assim? Provável que sim!

A grande muralha brasileira, para combater a concorrência, qualquer que seja, só pode ser construída com competência.

Competência é uma rocha sólida, por isso precisa ser usada na construção das relações setoriais.

Nós a estamos construindo?

Ivan Postigo

Diretor de Gestão Empresarial

Postigo Consultoria Comunicação e Gestão

Fones (11) 4526 1197 / (11) 9645 4652

www.postigoconsultoria.com.br

Twitter: @ivanpostigo

Skype: ivan.postigo

Nossas maiores conquistas não estão relacionadas às empresas que ajudamos a superar barreiras e dificuldades, nem às pessoas que ensinamos diretamente, mas sim àquelas que aprendem conosco, sem saber disso, e que ensinamos, sem nos darmos conta.


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